Agente de imigração atira e mata mulher em Minneapolis, nos EUA

Agente de imigração atira e mata mulher em Minneapolis, nos EUA

O Departamento de Segurança Nacional confirmou hoje (7) que uma mulher foi baleada e morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante um confronto entre agentes federais e manifestantes no sul de Minneapolis, segundo informações do Minnesota Star Tribune.  A porta-voz do Departamento de Segurança Nacional, Tricia McLaughlin, disse que os agentes “estavam realizando operações direcionadas” quando membros da comunidade começaram a tentar bloquear os veículos. Ela disse que o agente da Imigração “disparou tiros defensivos” quando a mulher tentou atropelar os agentes. Vários moradores da área que testemunharam a cena disseram que os agentes estavam ordenando que a mulher saísse do veículo. Um vídeo postado nas redes sociais mostrou o veículo dando ré antes de acelerar em direção a um agente, que disparou tiros à queima-roupa. O governador de Minnesota, Tim Walz, pediu calma e disse que a “imprudência do governo Trump custou a vida de alguém”.  O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que a mulher morta tinha 37 anos. “À família, sinto muito”, disse Frey, contestando a versão do Departamento de Segurança Nacional de que ela teria tentado atropelar os agentes.  “Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade”, afirmou. “Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados.” Em uma rede social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o agente agiu em legítima defesa. Segundo ele, imagens do episódio indicam que a motorista tentou atropelar o agente de forma “violenta” e “deliberada”. Na terça-feira (6), o Departamento de Segurança Nacional deu início a uma grande ofensiva migratória na região. Cerca de 2 mil agentes e oficiais foram escalados para participar da operação, que está ligada, em parte, a investigações sobre supostas fraudes envolvendo residentes de origem somali. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Reunião da OEA sobre Venezuela expõe divisão política no continente

Reunião da OEA sobre Venezuela expõe divisão política no continente

Países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se dividiram nesta terça-feira (6) ao comentar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores. A reunião extraordinária do Conselho Permanente expôs a polarização política no continente. Durante o encontro, não houve negociações formais, publicação de documentos, nem tomadas de decisão sobre o tema. Membros da OEA e Estados observadores apenas apresentaram manifestações individuais. Governos da Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador – alinhados aos Estados Unidos – defenderam a intervenção militar em Caracas. “A Argentina aprecia a determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos e pelo seu governo nas ações adotadas na Venezuela. Confiamos que esses acontecimentos representam um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região”, disse o embaixador da Argentina, Carlos Bernardo Cherniak. “A paz não se constrói por resoluções ou por decretos, nem por declarações de princípios. Mas com ações decididas e concretas. Nos solidarizamos com as vítimas da Venezuela que sofreram com a ditadura que, esperamos, chegue ao fim”, disse a embaixadora do Equador, Mónica Palencia. Já os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras foram contrários à ação estadunidense, defenderam a preservação da soberania dos países e a busca de soluções diplomáticas e multilaterais para a crise venezuelana. “Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com precedente extremamente perigoso”, disse o embaixador brasileiro Benoni Belli. “O que ocorreu foi uma agressão unilateral na Venezuela. Essas lamentáveis ações demandam uma reflexão hemisférica responsável, apegada ao direito internacional e orientada à preservação da democracia, paz e estabilidade na região”, disse o embaixador do México, Alejandro Encinas.   Embaixador Benoni Belli participa de reunião Especial do Conselho Permanente da OEA. Foto: Juan Manuel Herrera/OEA Venezuela sem representante Apesar de constar como membro oficial da OEA, a Venezuela não teve direito à nenhuma manifestação oficial durante a reunião extraordinária desta terça-feira, ao contrário do que ocorreu no dia anterior, nas Nações Unidas (ONU). A relação entre OEA e Venezuela tem sido de conflitos na última década, e o país vive um limbo institucional dentro da organização, sem participar de debates e deliberações. Em 2017, o governo de Nicolás Maduro anunciou a saída da organização, em resposta às acusações que sofria de outros países-membros de que seria um ditador e teria provocado uma ruptura democrática no país. Depois das eleições presidenciais de 2018, contestada por parte da comunidade internacional, a OEA parou de reconhecer o mandato de Maduro e decidiu aceitar no Conselho Permanente um representante indicado por Juan Guaidó, então líder da Assembleia Nacional e autodeclarado vencedor das eleições presidenciais. Na sequência, com o enfraquecimento da oposição venezuelana, nenhum novo representante foi reconhecido pela organização. Na declaração oficial desta terça-feira, o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou comentar diretamente a ação dos EUA na Venezuela. Em vez de se posicionar contrário ou favorável, elogiou os argumentos de todos os países e a importância do multilateralismo na região. Ao mesmo tempo em que falou sobre a responsabilidade dos países-membros em obedecer ao direito internacional, os princípios de soberania, não-intervenção e ordem constitucional – o que pode ser lido como crítica aos Estados Unidos –, manifestou apoio à transição democrática na Venezuela – o que pode ser como crítica à liderança de Maduro. “Uma Venezuela democrática estável é boa para o seu povo e boa para todo o hemisfério”, disse Ramdin. “Podemos apoiar uma transição democrática em profundidade, fortalecendo as instituições, apoiando reformas institucionais, auxiliando na preparação eleitoral, desenvolvendo capacidades, observando o processo eleitoral e muito mais”, complementou. China x Estados Unidos A reunião desta terça-feira também teve novo capítulo na disputa entre Estados Unidos e China por maior influência na região. O embaixador estadunidense Leandro Rizzuto citou o governo de Pequim como um dos rivais do Hemisfério Ocidental que querem, segundo ele, controlar recursos naturais da Venezuela. “Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub [polo] de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata. A representante da China, cujo nome não foi divulgado durante a transmissão do encontro da OEA, rebateu as acusações do governo estadunidense. Disse que elas eram “desnecessárias, injustificadas e falsas”, e que o país expressava insatisfação e oposição a elas. “Em vez de fabricar informações e criticar, os Estados Unidos deveriam refletir sobre sua ação arbitrária. O uso da força contra um Estado soberano e seu líder viola gravemente o direito internacional, atenta contra a soberania do país e ameaça a paz e a segurança na região”, disse a chinesa. “A cooperação entre a China e a Venezuela se dá entre Estados soberanos e com base nas leis e regulamentos de ambos os países”, complementou. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta segunda-feira (5) que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país. O mandatário ressaltou ainda que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”.  As declarações, escritas no X, foram dadas em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, neste domingo (4), ameaçou armar uma operação militar contra a Colômbia.     “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse Petro, que participou do movimento de guerrilha M19 (Movimento 19 de Abril), nos anos 1980.  O presidente da Colômbia afirmou ainda que os comandantes da força pública que não defendam a soberania popular deverão deixar a corporação. “Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”. O presidente acrescentou que a ordem à força pública é não atirar contra o povo, mas sim contra o invasor. Petro listou uma série de ações do seu governo contra a produção e o tráfico de drogas e destacou que foi eleito democraticamente e não tem envolvimento com o narcotráfico. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”.   “Tenho enorme confiança no meu povo, e por isso pedi que o povo defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele”, acrescentou. Ontem, Trump ameaçou deflagrar uma ação militar contra a Colômbia, disse que o país está doente e é administrado por um homem doente. O presidente dos EUA acusou, sem provas, o presidente Petro de gostar de produzir cocaína e de vender a droga aos Estados Unidos.  As afirmações foram feitas após os Estados Unidos sequestrarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação no sábado (3), e o levarem para Nova York para ser julgado. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Equipe de segurança de Maduro foi morta a sangue frio, diz ministro

Equipe de segurança de Maduro foi morta a sangue frio, diz ministro

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse neste domingo (4) que boa parte da equipe de segurança de Nicolas Maduro foi morta “a sangue frio” durante o ataque perpetrado pelos Estados Unidos, no sábado (3), que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.  “Soldados, soldadas e cidadãos inocentes”, disse Padrino, sem citar nomes ou números específicos. A declaração foi feita em vídeo, em que o ministro aparece acompanhado de membros das Forças Armadas do país.  Ao ler um comunicado oficial, Padrino rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a liberação de Maduro, que está detido em Nova York, sob acusação de narcoterrorismo.  Entenda No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.  O ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico. Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel. O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.   Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Maduro desembarca em Nova York escoltado por agentes federais

Maduro desembarca em Nova York escoltado por agentes federais

Imagens transmitidas em canais de televisão mostraram o desembarque do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Aeroporto Internacional de Stewart, no Vale do Hudson, a cerca 95 quilômetros da cidade de Nova York, nos Estados Unidos (EUA). A aeronave que levou o líder latino-americano e sua esposa, Cília Flores, pousou por volta das 18h30 (horário de Brasília) deste sábado (3), mais de 16 horas após a captura do casal, em Caracas, por forças especiais norte-americanas em uma invasão militar sem precedentes do território venezuelano. No desembarque, Maduro aparecia cercado por dezenas de agentes federais do FBI e da DEA, a agência de combate às drogas do país norte-americano.  Vestindo moletom e usando capuz, ele parecia ter algemas nos pés e nas mãos, e tinha dificuldade de descer as escadas da aeronave e caminhar pela pista até um hangar do aeroporto.  Segundo a imprensa dos EUA, Maduro e a esposa, que serão processados por tráfico internacional de drogas, acusação ainda sem apresentação pública de provas por parte do governo norte-americano, serão agora deslocados de helicóptero até Manhattan, na sede da DEA. De lá, encaminhados a presídios, onde responderão detidos às imputações. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em sua primeira manifestação oficial após a invasão militar na Venezuela e captura de Maduro, que o próprio governo estadunidense vai administrar o país latino-americano, a partir de agora, até que se possa fazer uma transição de poder. A operação militar envolveu cerca de 150 aeronaves e foi planejada por meses, disseram as autoridades norte-americanas. Trump não soube precisar por quanto tempo precisará controlar diretamente o país sul-americano, que possui uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros (km) com o Brasil. Apesar disso, ele indicou um possível diálogo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, do grupo político do agora presidente deposto e raptado, Nicolás Maduro, sobre um eventual governo interino do país. Ela, porém, rechaçou qualquer subordinação ao governo dos EUA, em sua primeira manifestação.      Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Bolívia: protestos desafiam governo após aumento de combustíveis

Bolívia: protestos desafiam governo após aumento de combustíveis

Menos de dois meses após o início do mandato, o novo governo da Bolívia já enfrenta a primeira onda de protestos e paralisações convocados por sindicatos e movimentos sociais. As organizações que lideram as manifestações estão desde o dia 22 de dezembro nas ruas pedindo a anulação do decreto presidencial que acabou com o subsídio dos combustíveis, que já durava cerca de 20 anos, provocando aumentos de até 160% no diesel e cerca de 86% na gasolina. Para amenizar o aumento dos preços dos combustíveis, o mesmo decreto aumentou o salário mínimo em 20%. Uma nova marcha foi convocada para este sábado (3), que deve partir de Calamarca até a cidade de La Paz, onde os sindicatos tem uma reunião marcada com o governo na próxima segunda-feira (5) para discutir o decreto presidencial 5503. O novo decreto tem 121 artigos e foi publicado em caráter “excepcional” e “temporário”. Ele estabelece um novo arcabouço jurídico, tributário e administrativo que, segundo o governo, facilita o investimento privado, reequilibra as contas públicas e favorece as exportações.   Para justificar as medidas, o governo decretou emergência econômica, energética e social “diante o processo inflacionário que vive o país, da escassez de dólares e de combustíveis”. Crise Protestos de rua, bloqueios de estradas, marchas e até greve de fome foram registrados nos últimos dias no país andino. A Central Operária da Bolívia (COB) – principal central sindical do país – afirma que o decreto 5503 é um amplo “pacote neoliberal” que coloca a conta da crise nas costas da população. O secretário-executivo da COB, Mario Argollo, disse que o decreto vende o país e passa por cima do Legislativo, que não analisou as mudanças. “Este decreto rifa e vende o nosso país a corporações transnacionais, empresas privadas e agronegócios que, infelizmente, se beneficiaram da posição deste governo”, lamentou o líder sindical em entrevista à Telesur.   A COB convocou uma “greve geral” por tempo indeterminado, tendo conseguido apoio de outros sindicatos, como o dos professores e dos mineiros. Ao publicar a normativa no dia 18 de dezembro, o novo presidente Rodrigo Paz destacou que a medida foi uma “decisão difícil”, mas necessária para garantir o abastecimento de combustíveis e reduzir a “sangria” das reservas financeiras do país. “Derrotaremos o ‘Estado obstrucionista’ implementando o silêncio administrativo positivo, para que nenhum procedimento impeça o trabalho do nosso povo, e abriremos as portas ao investimento com 0% de impostos para aqueles que repatriarem seu capital para produzir em nossa terra”, informou Paz. As novas regras ainda criam um procedimento de aprovação rápida de projetos considerados estratégicos pelo governo. Chamado de Fast Track, o procedimento prevê tramitação de até 30 dias após apresentação do projeto. Rearranjo político O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política latino-americana, destaca que a nova normativa do governo de Rodrigo Paz é um “decreto de chegada ao Poder” e que o país passa por um “rearranjo político” após quase 20 anos de governos de esquerda. “Inicialmente, parecia que ia ter protestos mais fortes. No primeiro dia saíram para bloquear estradas, mas eu sinto que perdeu força, que a negociação do governo com os setores do transporte fez com que a situação não estoure, como foi em outros momentos”, avaliou o especialista. Para Schavelzon, o novo ato deste sábado e as negociações com o governo a partir de segunda-feira vão definir o futuro do movimento. As paralisações contam com apoio do vice-presidente do país, Edman Lara, que rompeu com Paz e foi para oposição. Em meio a disputas com o vice, Rodrigo Paz editou novo decreto nesta sexta-feira (2) autorizando a si mesmo a governar do exterior, como forma de evitar passar o cargo ao vice enquanto está em viagens internacionais. Outras mudanças do decreto O decreto boliviano ainda proíbe novas contratações no serviço público, limita os reajustes do funcionalismo e estabelece uma “livre negociação” entre patrões e trabalhadores, sejam acordos individuais ou coletivos. Para atrair investimentos, o decreto cria um novo regime “extraordinário” para investimentos nacionais e estrangeiros que gozariam de estabilidade jurídica e tributária por até 15 anos. O decreto assinado pelo presidente Rodrigo Paz também elimina restrições às importações e exportações “a fim de agilizar o comércio exterior”. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Intervenção na Venezuela seria catástrofe humanitária, diz Lula

Intervenção na Venezuela seria catástrofe humanitária, diz Lula

Um ponto chave do discurso de Lula na reunião do Mercosul, neste sábado (20), foi o risco de um conflito armado na América do Sul diante da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que pode levar à tentativa de derrubar o atual regime do presidente Nicolás Maduro e, com isso, desencadear uma nova guerra na região de proporções imprevisíveis. “Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”, disse Lula ao alertar: “Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo.” Neste momento, tropas dos EUA cercam o Mar do Caribe na fronteira venezuelana, sob alegação de combate ao narcotráfico. Foi montado um bloqueio para impedir a navegação de navios petroleiros do país caribenho, um dos maiores produtores de petróleo do planeta. O petróleo é o coração da economia da Venezuela e a ação norte-americano pode causar um asfixia financeira ao país. Desde de setembro, cerca de 25 ataques a embarcações no Caribe foram realizados por forças militares dos EUA, matando pelo menos 95 pessoas. “[A Venezuela] está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul. Ela só vai crescer, e o choque para eles será algo nunca visto antes – até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, nos últimos dias. A ameaça elevou a tensão e abriu interpretações sobre qual seria o real interesse norte-americano em mudar o regime na Venezuela, além do alegado combate ao narcotráfico. Em entrevista a jornalistas, na última quinta-feira (18), no Palácio do Planalto, Lula informou ter mantido conversas por telefone tanto com Maduro como com Trump, na tentativa de buscar uma solução diplomática para a situação. “Falei para o presidente Maduro que se ele quisesse que o Brasil ajudasse com alguma coisa ele tinha que dizer o que ele gostaria que a gente fizesse. E disse ao Trump: ‘Se você achar que o Brasil pode contribuir, nós teremos todo interesse de conversar com a Venezuela, de conversar com vocês, conversar com outros países para que a gente evite um confronto armado aqui na América Latina e na nossa querida América do Sul. E o Brasil tem muito apreço por isso, porque nós temos muitos quilômetros de fronteira com a Venezuela”, afirmou, na ocasião. “Era possível negociar sem guerra. Então, eu fico sempre preocupado com o que está por detrás. Porque não pode ser apenas a questão de derrubar o Maduro. Quais são os interesses outros que a gente tem e ainda não [se] sabe?”, questionou o presidente brasileiro sobre as motivações norte-americanas para a ameaça militar. Lula também prometeu ligar novamente para Trump antes do Natal e já havia alertado o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para que não se afastasse muito longe do Brasil ao longo das próximas semanas, caso o cenário piore ainda mais. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Inaugurada segunda ponte de ligação entre Brasil e Paraguai 

Inaugurada segunda ponte de ligação entre Brasil e Paraguai 

Com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, foi inaugurada nesta sexta-feira (19) a Ponte Internacional da Integração Brasil-Paraguai, que liga Foz do Iguaçu (PR) à cidade de Presidente Franco, no Paraguai. A obra, que contou com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teve investimento de R$ 1,9 bilhão dos dois países, incluindo R$ 712 milhões financiados pela Itaipu Binacional. Segundo o governo, o tráfego já está liberado mas apenas para caminhões sem carga nos dois sentidos, em uma primeira fase. “Espero que muita gente do Paraguai vá visitar o Brasil e que muita gente do Brasil venha visitar o Paraguai. E que muitos produtos produzidos no Paraguai venham para o Brasil, assim como os produtos do Brasil possam ir para o Paraguai. Porque as duas economias precisam crescer e os nossos povos precisam melhorar a qualidade de vida”, destacou Lula, durante a inauguração. O evento oficial ocorreu na nova aduana Brasil-Paraguai, e marcou a entrega da segunda ligação viária sobre o Rio Paraná entre as duas nações, seis décadas depois da inauguração da Ponte da Amizade, que conecta Foz do Iguaçu a Cidade do Leste, vizinha à Presidente Franco. A Ponte da Amizade está há anos sobrecarregada, com um fluxo diário de 100 mil pessoas e 45 mil veículos, segundo a Receita Federal. A Ponte da Integração tem 760 metros de extensão e um vão-livre de 470 metros, o maior do continente, além de duas pistas simples com 3,6 metros de largura cada. A estrutura do tipo estaiada é sustentada por duas torres de 190 metros de altura, o equivalente a edifícios de aproximadamente 54 andares. Durante a entrega da obra, o ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou que toda a logística no entorno da ponte pelo lado brasileiro, está pronta para funcionar. “A ponte está 100% pronta, a Receita Federal está preparada para trabalhar, a Polícia Federal também está preparada. As obras do lado brasileiro estão prontas, a rodovia perimetral que dá acesso à ponte também está 100% concluída. E, a partir de amanhã [sábado], nós vamos liberar o fluxo de caminhões por cima da ponte”, disse. Etapas Na etapa inicial, que começou hoje, a travessia será apenas para caminhões descarregados, conhecidos como “em lastro”, seguindo horários específicos coordenados pela Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal. Os ônibus de turismo fretados serão autorizados a trafegar em breve. Os horários da operação serão divulgados pelos órgãos competentes. A liberação gradual também é uma forma de garantir segurança e adaptação dos órgãos de fiscalização. A liberação total para veículos de carga está prevista para ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027, condicionada à conclusão do Corredor Metropolitano del Este, no lado paraguaio, que garantirá a plena infraestrutura de acesso. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Líder católico visita Gaza e ressalta esperança de palestinos

Líder católico visita Gaza e ressalta esperança de palestinos

Ao final de uma visita de três dias à Faixa de Gaza, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, afirmou que, apesar da destruição provocada por anos de guerra, a população local mantém o desejo de reconstruir a própria vida. O patriarca é a principal autoridade que representa a Igreja Católica em Israel, Palestina, Jordânia e Chipre. Em entrevista a veículos de mídia do Vaticano nesta terça-feira (23), o religioso relatou ter encontrado uma sociedade extenuada, marcada pela pobreza extrema e pela falta de infraestrutura básica, mas ainda movida por sinais de esperança. Segundo Pizzaballa, os problemas estruturais seguem evidentes. Casas, escolas e hospitais precisam ser reconstruídos, enquanto grande parte da população vive cercada por esgoto e lixo. Ainda assim, o cardeal destacou ter percebido, durante encontros com homens, mulheres e crianças, uma forte vontade de retomar a normalidade e de reconstruir o futuro. Durante a visita, iniciada em 19 de dezembro, o patriarca também presenciou momentos de alegria, especialmente entre as crianças. Ele recordou a serenidade encontrada nos olhares dos pequenos durante a encenação de um presépio vivo, que emocionou os presentes. De acordo com o cardeal, o Natal em Gaza é celebrado sem grandes festividades, com exceção da liturgia, mas é marcado por um sentimento genuíno de alegria. Pizzaballa ressaltou ainda que, apesar das dificuldades, os moradores de Gaza não se sentem abandonados pelo mundo. Para ele, é importante diferenciar a atuação da comunidade política da presença da sociedade civil, que, segundo afirmou, esteve ao lado da população. Ao falar sobre a paz, o cardeal destacou que se trata de um conceito exigente em um território marcado pela guerra. Segundo ele, mais do que discursos, é necessário criar condições reais, sólidas e estáveis para que a paz possa se afirmar. Em mensagem dirigida aos cristãos, o patriarca afirmou que não se deve fugir da realidade atual. Para ele, Jesus entrou na história em um contexto imperfeito, assim como o vivido hoje em Gaza, e cabe às pessoas assumir esse momento histórico e trabalhar para transformá-lo. Em coletiva de imprensa realizada em Jerusalém após a visita, Pizzaballa alertou para a gravidade da situação econômica. Embora a escassez de alimentos tenha sido parcialmente superada, poucos moradores têm condições financeiras de comprar comida. O cardeal disse ter se impressionado com o grande número de crianças vivendo nas ruas e afirmou haver preocupação com o futuro delas. *Com informações da Agência Vaticano News   Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Em 1º sermão de Natal, papa lamenta condições dos palestinos em Gaza

Em 1º sermão de Natal, papa lamenta condições dos palestinos em Gaza

O papa Leão XIV criticou as condições dos palestinos em Gaza em seu sermão de Natal nesta quinta-feira (25), em um apelo excepcionalmente direto durante o que normalmente é um serviço solene e espiritual no dia em que os cristãos celebram o nascimento de Jesus. Leão, o primeiro papa dos Estados Unidos, disse que a história de Jesus nascendo em um estábulo mostrou que Deus havia “armado sua frágil tenda” entre as pessoas do mundo. “Como, então, podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas por semanas à chuva, ao vento e ao frio?”, perguntou. Celebrando seu primeiro Natal depois de ser eleito em maio por cardeais para suceder o papa Francisco, tem um estilo mais calmo e diplomático do que seu antecessor e geralmente se abstém de fazer referências políticas em seus sermões. Em uma bênção de Natal posterior, o papa, que fez do cuidado com os imigrantes um tema fundamental de seu trabalho inicial, também lamentou a situação dos migrantes e refugiados que “atravessam o continente norte-americano”. Leão XIV, que no passado criticou a repressão do presidente dos EUA, Donald Trump, à imigração não o mencionou. Em sermão na véspera de Natal nessa quarta-feira, ele disse que se recusar a ajudar pobres e estrangeiros é o mesmo que rejeitar o próprio Deus. “Feridas abertas” da guerra O pontífice lamentou recentemente, por várias vezes, as condições dos palestinos em Gaza e disse a jornalistas, no mês passado, que a única solução para o conflito de décadas deve incluir a criação de um Estado palestino. Israel e o Hamas concordaram com um cessar-fogo em outubro, após dois anos de intenso bombardeio israelense e operações militares que se seguiram a um ataque de combatentes liderados pelo Hamas contra comunidades israelenses em outubro de 2023. As agências humanitárias dizem que ainda há muito pouca ajuda chegando a Gaza, onde quase toda a população está desabrigada. No culto desta quinta-feira com milhares de pessoas na Basílica de São Pedro, Leão XIV também lamentou as condições dos sem-teto em todo o mundo e a destruição causada pela guerra. “Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras, em andamento ou concluídas, deixando para trás escombros e feridas abertas”, disse o papa. “Frágeis são as mentes e as vidas dos jovens forçados a pegar em armas, que nas linhas de frente sentem a insensatez do que lhes é pedido e as falsidades que enchem os discursos pomposos daqueles que os enviam para a morte”, disse. Conflitos na Ucrânia, Tailândia e Camboja Em um apelo durante a mensagem e bênção “Urbi et Orbi” (Para a Cidade e o Mundo) dada pelo papa no Natal e na Páscoa, Leão pediu o fim de todas as guerras globais. Falando da sacada central da Basílica de São Pedro para milhares de pessoas na praça, ele lamentou os conflitos, políticos, sociais ou militares na Ucrânia, no Sudão, Mali, em Mianmar, na Tailândia e no Camboja, entre outros países. Leão disse que as pessoas na Ucrânia têm sido “atormentadas” pela violência.  “Que o clamor das armas cesse, e que as partes envolvidas, com o apoio e o compromisso da comunidade internacional, encontrem a coragem de se engajar em um diálogo sincero, direto e respeitoso”, afirmou. Para a Tailândia e o Camboja, onde os combates na fronteira estão na terceira semana, com pelo menos 80 mortos, Leão pediu que a “antiga amizade” das nações seja restaurada, “para trabalhar em direção à reconciliação e à paz”. *É proibida a reprodução deste conteúdo. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Rússia compara com pirataria bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela

Rússia compara com pirataria bloqueio dos Estados Unidos à Venezuela

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse nesta quinta-feira (25) que os Estados Unidos (EUA) estão revivendo a pirataria e o banditismo no Mar do Caribe ao bloquear a Venezuela. Acrescentou que espera que o pragmatismo do presidente norte-americano, Donald Trump, ajude a evitar um desastre. “Hoje estamos testemunhando a completa ilegalidade no Mar do Caribe, onde o roubo de propriedade de outras pessoas, ou seja, a pirataria e o banditismo, estão sendo revividos”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, sobre a situação. “Defendemos consistentemente a redução da escalada”, disse Zakharova. “Esperamos que o pragmatismo e a racionalidade do presidente dos EUA, Donald Trump, permitam que sejam encontradas soluções mutuamente aceitáveis para as partes dentro da estrutura das normas legais internacionais.” “Confirmamos nosso apoio aos esforços do governo de Nicolás Maduro para proteger a soberania e os interesses nacionais e manter o desenvolvimento estável e seguro de seu país”, acrescentou. *É proibida a reprodução deste conteúdo. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Embaixador do Brasil na ONU pede fim da ação dos EUA contra Venezuela

Embaixador do Brasil na ONU pede fim da ação dos EUA contra Venezuela

O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sergio Danese, criticou nesta terça-feira (24), durante reunião do Conselho de Segurança, a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Para o representante brasileiro, as ações norte-americana são “violações da Carta das Nações Unidas e, portanto, devem cessar imediata e incondicionalmente em favor da utilização dos instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis”. Danese disse que o Brasil “convida ambos os países a um diálogo genuíno, conduzido de boa-fé e sem coerção”. O embaixador acrescentou ainda que o presidente Lula já declarou que tem intenção de intermediar um acordo entre EUA e Venezuela e que apoia qualquer esforço do secretário-geral da ONU nesta direção. O embaixador acrescentou também que a América do Sul é e quer continuar sendo uma região de paz, “respeitando o direito internacional e com boas relações entre vizinhos”. Para o embaixador brasileiro, evitar uma guerra no continente não é um interesse apenas dos países da América Latina, toda a comunidade internacional tem de se preocupar “já que em última instância, um conflito na região poderia ter repercussões em escala global”. Os Estados Unidos, através de ordens do presidente Donald Trump, promovem um cerco militar à Venezuela. Os norte-americanos têm a intenção de tirar Nicolás Maduro do poder, a quem acusam de chefiar um cartel narco-terrorista. Trump vem há semanas ameaçando invadir o território venezuelano.     Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br