A direita brasileira precisa se fazer uma pergunta simples, objetiva e necessária: por que insistir em Flávio Bolsonaro, se há um nome moderado, com baixa rejeição e altamente qualificado, como Ratinho da Massa Jr.?
O debate ganhou ainda mais força após uma pesquisa Datafolha, que caiu como uma bomba no cenário político nacional, ao revelar que o país segue polarizado, mas com vantagem numérica clara da direita. O estudo diz que 35% dos brasileiros se identificam com a direita e 22% com a esquerda.
Ou seja, existe espaço eleitoral, existe maioria potencial, mas ela não será convertida em votos se a direita insistir na radicalização.
Flávio Bolsonaro é um nome forte? Sim. Mas força eleitoral não se mede apenas por base ideológica. Mede-se por capacidade de diálogo, alianças, redução de rejeição e viabilidade real de vitória.
E é aí que começam os problemas. Flávio carrega rejeição elevada, herda os conflitos dos irmãos e, principalmente, o peso político do pai, Jair Bolsonaro, que afasta setores estratégicos do eleitorado. A direita precisa admitir: a radicalização tem um preço e ele está sendo pago.
O país não esqueceu os excessos da pandemia. As falas, os gestos, as provocações. E agora, episódios recentes, como a polêmica das Havaianas, mostram uma postura desconectada da realidade do brasileiro comum, algo que não soma, não amplia e não agrega votos.
A pergunta central é simples: Flávio Bolsonaro consegue construir alianças amplas Consegue dialogar com o centro, com governadores, com o Congresso, com o empresariado?
Se a resposta for não, o caminho é o isolamento político. E ninguém vence eleição isolado. A direita não pode entrar em 2026 para perder.
Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (26/12) pela Paraná Pesquisas, que avaliou a preferência de voto na ausência de Jair Bolsonaro, reforça esse cenário. Na pesquisa estimulada, os números são claros:
• Não sabe / não opinou: 4,9%
• Nenhum desses: 27,3%
• Flávio Bolsonaro: 20,6%
• Tarcísio de Freitas: 13,7%
• Michelle Bolsonaro: 10,3%
• Ratinho Jr.: 9,8%
• Tereza Cristina: 6,0%
• Ronaldo Caiado: 4,5%
• Romeu Zema: 2,8%
Ou seja, nem dentro do bolsonarismo existe hegemonia de Flávio Bolsonaro. Muito pelo contrário: ele não soma nem metade do total dos demais nomes da direita colocados no cenário.
É nesse contexto que Ratinho Jr. surge como alternativa concreta. O governador do Paraná é homem de resultados, administra um dos estados mais organizados do país. O PIB do Paraná cresceu 2,9% nos últimos três meses e ele 85% de aprovação no estado. Além disso tem baixa rejeição, discurso equilibrado e capacidade real de diálogo com o centro político. Soma-se a isso um ativo importante: o pai, o apresentador Ratinho, que pode ajudar a popularizar seu nome no Nordeste, região onde a direita precisa crescer. Para completar, integra o PSD, partido do equilíbrio e um dos maiores do país, sobretudo na região Nordeste, onde tem forte aderência na Bahia, em Pernambuco e ainda em Sergipe.
O centrão e as forças moderadas precisam agir com responsabilidade. Distensionar é fundamental. O Brasil está cansado de extremos. Eleição se vence com pragmatismo, leitura da realidade e bom senso, não com grito ideológico. Portanto, se a direita quiser transformar seus 35% em vitória, terá que escolher viabilidade, não isolamento.








