Katiara expulsa famílias do Recôncavo e medida de Jerônimo inibe PMs

Katiara expulsa famílias do Recôncavo e medida de Jerônimo inibe PMs

“Nós sabe quem é quem: 7 Katiara.” A frase, escrita em muros de residências de Capanema, distrito de Maragogipe, resume a realidade de uma comunidade que vive sob o domínio do crime organizado no Recôncavo Baiano.

O Informe Baiano esteve no terreno e encontrou um cenário que mistura medo, abandono e silêncio. Os moradores evitam falar sobre o assunto. O motivo é simples: quem fala, corre risco de morrer.

A região, que no passado teve destaque com os antigos engenhos de cana-de-açúcar e mais recentemente passou a receber iniciativas de recuperação ambiental dos manguezais, hoje convive com outra realidade. O poder paralelo tomou conta.

Nas ruas, diversas casas estão pichadas. Outras foram abandonadas pelos próprios moradores. O IB contabilizou mais de 20 residências fechadas, muitas delas com cadeados. Algumas já estão completamente abertas e deterioradas pelo tempo.

Em uma dessas casas abandonadas, uma imagem de Jesus Cristo permanece pendurada na parede, como símbolo da esperança de dias melhores para quem foi obrigado a deixar tudo para trás.

Muitas famílias abandonaram suas residências devido aos constantes confrontos provocados pela disputa entre a facção Katiara e o Bonde do Maluco (BDM), além das operações policiais na tentativa de conter o avanço do tráfico.

A Katiara nasceu na cidade vizinha de Nazaré e ganhou notoriedade pela extrema violência empregada contra rivais e até mesmo contra pessoas sem envolvimento com a criminalidade.

Recentemente, um crime chocou a população local. Um pequeno comerciante foi assassinado após abrir uma mercearia sem autorização da facção.

A situação também expõe um problema estrutural da segurança pública. Maragogipe possui cerca de 437 km² de extensão territorial, quase o tamanho de Salvador, mas não conta com uma companhia independente da Polícia Militar para atender toda a cidade. Apenas um pelotão. Com isso, torna indispensável o apoio de unidades especializadas, como a Rondesp Recôncavo e a CIPE Recôncavo.

Apesar do cenário de violência, chama atenção o cuidado dos moradores com a comunidade. As ruas estão limpas, não há lixo acumulado e existe uma preocupação visível com a preservação do ambiente. A grande maioria dos moradores é formada por pescadores e pessoas que apenas desejam viver em paz.

Mas o medo continua estampado nos muros. E a mensagem deixada pela facção permanece visível para todos que entram na localidade: “Nós sabe quem é quem: 7 Katiara.”



Fonte: informebaiano.com.br

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