É preciso coragem de Rogério Ceni para colocar jovens talentos do Esporte Clube Bahia em campo, a exemplo do atacante Dell, de apenas 17 anos. Hoje, ele é o único atleta do elenco que atua como “puro 9”. É jovem? Sim. Não pode carregar sozinho a responsabilidade de ser a solução do time, mas precisa de confiança e minutos em campo.
Não se pode admitir que opções como Everaldo ou Willian Jose estejam sempre à frente. Especialmente quando um centroavante precisa ter características claras: faro de gol, presença de área, capacidade de finalização, briga com zagueiros e bom posicionamento. Dell já mostrou que reúne esses elementos. Então a pergunta segue sem resposta: por que ele não aparece nem como primeira, nem como segunda opção? As escolhas de Ceni continuam difíceis de entender.
Na estreia da Copa Libertadores da America contra o O’Higgins, o técnico teve responsabilidade direta pelo desempenho ruim do Bahia. Errou no esquema tático inicial, corrigiu ainda no primeiro tempo, mas voltou a falhar na etapa final ao optar por uma postura excessivamente conservadora. Time que quer vencer torneio grande precisa de coragem para jogar, atacar e assumir riscos.
A derrota por 1 a 0 ativou lembranças negativas de 2024 e também de 2025, quando decisões estratégicas equivocadas acabaram comprometendo o desempenho tricolor. Ainda assim, não é o fim do mundo. O resultado é reversível, e o Bahia tem totais condições de virar o confronto em Salvador, até com margem confortável.
Para o jogo de volta, que não se repita a asneira de deixar Caio Alexandre no banco. Que se reconheça que a garra de Kike Oliveira é importante, mas o talento de Erick Pulga é inegociável. E ninguém deve ser dono de posição: se Jean Lucas não estiver entregando intensidade, o banco precisa ser opção.
Fica o recado: ainda há tempo para aprender com os erros. Libertadores se ganha com coragem — dentro e fora das quatro linhas.







