Jerônimo vai à Justiça contra vídeo de ACM Neto sobre BR-324

Jerônimo vai à Justiça contra vídeo de ACM Neto sobre BR-324

A coligação que apoia a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) contra o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo ACM Neto por causa de um vídeo publicado nas redes sociais com o título “O Buraco de Jero”. A representação acusa o adversário de propaganda eleitoral antecipada negativa e pede a retirada da publicação do ar.

A publicação faz referência a uma cratera na BR-324, problema que já havia sido explorado por ACM Neto durante debate entre os pré-candidatos ao Governo da Bahia. Segundo a ação, o vídeo foi publicado no perfil oficial de Neto no Instagram na quarta-feira (12), quatro dias antes do início do período de propaganda eleitoral, e apresenta ainda a chamada “A Realidade Paralela de Jerônimo”.

No processo, a coligação “Mais Bahia, Mais Brasil”, formada pela Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — além de PDT, MDB, PSB, PSD e Avante, sustenta que a peça ultrapassou os limites da crítica administrativa e passou a atingir diretamente a imagem de Jerônimo. A defesa do governador argumenta que o uso do apelido “Jero” no título e a associação do petista a uma “realidade paralela” caracterizariam ataque pessoal em contexto eleitoral.

O vídeo utiliza uma estética inspirada na série “Stranger Things” e imagens produzidas com inteligência artificial. A cratera da BR-324 aparece como um portal para uma dimensão sombria, enquanto outras obras, como a Rodovia Gabriela, a Ponte sobre o Rio Jucuruçu, o Aeroporto Regional de Jequié e a Ponte Salvador-Itaparica, são retratadas em cenários de tempestade, raios e neblina.

A própria representação reconhece que o Instagram identificou a postagem como conteúdo com elementos gerados por inteligência artificial. A coligação, porém, afirma que a identificação não afastaria eventual irregularidade eleitoral e argumenta que Neto teria utilizado cenas fictícias para reforçar uma narrativa negativa contra o adversário, sem apresentar registros reais e atuais das obras retratadas.

Na ação, os advogados também destacam o alcance da publicação. Segundo o documento, o vídeo chegou a 318 mil visualizações em dois dias. A coligação pediu uma decisão liminar para que a postagem seja retirada em até 24 horas, além da remoção de reproduções semelhantes em outras plataformas e aplicação de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

Ao final, a coligação pede que a Justiça Eleitoral reconheça a ilegalidade da propaganda e determine a retirada definitiva do conteúdo e de eventuais republicações. A representação foi protocolada em Salvador e é datada de 12 de agosto de 2026.

Fonte: informebaiano.com.br

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