SÓ O BDM NA PISTA! Com Estado ausente e guerra de facções, bairro de Maragogipe vive êxodo silencioso

SÓ O BDM NA PISTA! Com Estado ausente e guerra de facções, bairro de Maragogipe vive êxodo silencioso

O bairro do Cruzeiro, na sede do município de Maragogipe, se transformou em um retrato do avanço do crime organizado e da ausência do Governo Jerônimo Rodrigues (PT). O Informe Baiano esteve na região na semana passada e conversou, sob anonimato, com moradores e ex-moradores que foram obrigados a abandonar suas casas por causa da violência.

A cena é revoltante. Diversas residências estão fechadas, abandonadas ou já abertas pela ação do tempo. Dentro delas ficaram móveis, eletrodomésticos, roupas e histórias de famílias que construíram uma vida inteira no local.

Imagine sair às pressas e deixar para trás geladeira, fogão, cama, guarda-roupa e tudo aquilo que foi conquistado com anos de trabalho. É exatamente isso que está acontecendo.

O motivo é a guerra entre as facções Bonde do Maluco (BDM) e Katiara. O BDM expulsou a facção rival do Cruzeiro e passou a controlar a área. Desde então, os confrontos armados se tornaram frequentes.

Quem permanece no bairro convive diariamente com o som dos tiros e o medo de ser atingido por uma bala perdida.

Nas paredes das dezenas de imóveis abandonados, pichações deixam claro quem controla o território. Frases do BDM aparecem espalhadas pela comunidade, assim como referências a lideranças criminosas conhecidas pelos apelidos de “Rato” e “Ucraniano”.

O grupo mantém aliança com o Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa do Rio de Janeiro rival do Comando Vermelho (CV), apontado como aliado da Katiara.

Enquanto isso, a população reclama da falta de ações efetivas do poder público. Não há projetos sociais capazes de oferecer alternativas aos jovens, tampouco investimentos que ajudem a recuperar áreas tomadas pela criminalidade.

Os policiais militares que atuam na região também enfrentam dificuldades. Com efetivo reduzido e uma área territorial extensa para cobrir, dependem frequentemente do apoio de unidades especializadas para combater grupos fortemente armados.

E o Cruzeiro não é um caso isolado. O mesmo cenário foi encontrado pelo Informe Baiano na Capanema e outras comunidades, onde casas vazias, muros pichados e moradores expulsos se tornaram parte da paisagem.



Fonte: informebaiano.com.br

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