O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, resolveu expor trabalhadores terceirizados do Palácio do Planalto em uma postagem nas redes sociais, na última quinta-feira (18/12). Em tom de comemoração, Boulos publicou um vídeo com cestas básicas destinadas aos funcionários do cafezinho e da limpeza.
Como se não bastasse a exposição, o ministro de Lula ainda revelou que houve um rateio entre figuras do alto escalão para a compra. O registro mostra cestas básicas simples, com itens como papel higiênico, óleo e café. No interior da Bahia, isso tem nome: “xiquita”. Aquela ajuda mínima, simbólica, que muitos políticos costumam distribuir em período eleitoral, em troca de voto.
E, convenhamos, em pleno 2025, isso é indecente. É imoral. É o retrato de uma política atrasada, que insiste em tratar a pobreza como ferramenta de marketing.
A atitude não é exemplo de solidariedade. É exploração da miséria. Mostra que, para parte da esquerda no poder, a solução para a desigualdade ainda é entregar cesta básica e postar foto e vídeo, como se isso resolvesse o problema estrutural da fome no Brasil.
Estamos falando de um país onde mais de 6 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar grave. Transformar esse drama em conteúdo para rede social não é sensibilidade social. Muito pelo contrário, é covardia.
A ação de Boulos escancara que o discurso mudou pouco: continua-se administrando a pobreza, e não combatendo suas causas. Continua-se se aproveitando da necessidade do povo, em vez de garantir emprego digno, renda, políticas públicas eficientes e autonomia. Isso não é política social. Isso é explorar a desgraça alheia. E o povo já está cansado de “xiquita”.
