Estudo diz que maioria dos brasileiros conectados aprova convocação

Estudo diz que maioria dos brasileiros conectados aprova convocação

A lista de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, no México e no Canadá foi aprovada por três em cada quatro brasileiros conectados à internet. É o que indica uma pesquisa da Human Data, empresa que atua com dados, inteligência artificial e cultura digital, divulgada nesta terça-feira (19). Segundo o estudo, realizado entre as últimas sexta-feira (15) e segunda-feira (18), dia da convocação, analisando a expectativa e a repercussão da lista final, 74% dos torcedores concordaram com os nomes anunciados pelo técnico. Foram monitorados, em tempo real, portais, ambientes digitais e redes sociais como TikTok, Instagram, YouTube, Facebook e X (antigo Twitter). Na comparação com a última Copa, em 2022, no Catar, o interesse dos brasileiros teve um aumento de 258%. Ainda de acordo com a pesquisa, a convocação atingiu um pico de 633 mil menções nas diversas plataformas monitoradas. Atleta que concentrava a maior expectativa sobre a presença ou não na lista de Ancelotti, Neymar foi aquele que mais envolveu o público nas redes, com 225 mil menções durante o período. Conforme a pesquisa, as publicações de maior engajamento foram vídeos com crianças reagindo emocionadas e festivas ao momento no qual o treinador mencionou o nome do atacante do Santos na convocação. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Para comparação, o volume de menções a Neymar foi quase 11 vezes maior que as 20.519 referências a Vinícius Júnior, do Real Madrid (Espanha). O também atacante Endrick, do Lyon (França), foi outro nome bastante comentado, de acordo com o estudo, com 22% do público aprovando a convocação do jovem estreante em Copas do Mundo. “A pesquisa mostra como a seleção brasileira continua mobilizando o país de forma única, despertando sentimentos positivos e negativos. A convocação deste ano, inclusive, tornou-se uma das mais mencionadas da história nas redes sociais, ultrapassando a bolha do futebol e ganhando relevância em diferentes esferas da sociedade”, analisou Otávio Ereno, diretor executivo da Human Data, por meio da assessoria de imprensa da empresa. “Para as marcas, existe uma oportunidade enorme de participar dessas conversas em tempo real, independentemente de serem ou não patrocinadoras oficiais da Copa do Mundo ou do time brasileiro”, completou. Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

É preciso desaprender para conviver com a IA, explica Silvio Meira 

É preciso desaprender para conviver com a IA, explica Silvio Meira 

No começo dos anos de 1990, um grupo de artistas incomodados com o marasmo cultural em Pernambuco escreveu o manifesto Caranguejos com Cérebro. Nascia oficialmente o manguebeat, movimento que misturou maracatu, reggae, hip hop e tecnologia. Nesse caldeirão, um grupo de professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) resolveu criar um centro de inovação tecnológica para tentar reter os cérebros de estudantes e profissionais de várias áreas de conhecimento.  Então surgiu, em 1996, o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR). A organização foi uma espécie de semente do que viria a ser o Porto Digital, hoje um dos principais polos de inovação tecnológica do país, que concentra quase 500 empresas de tecnologia na região do Recife Antigo. O engenheiro e escritor Silvio Meira estava entre os fundadores do CESAR e, agora, 30 anos depois, ele volta ao Conselho de Administração da instituição.  >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Nas comemorações de aniversário do CESAR, ele explicou a decisão. “Com a inteligência artificial, uma invenção que só encontra precedentes na criação dos tipos móveis, por Gutenberg, em 1450, o CESAR tem que voltar às origens”.  Foi nessa busca das raízes no mangue que Silvio Meira falou à Agência Brasil sobre os avanços da inteligência artificial e o papel das pessoas na condução dessa transição.  Agência Brasil: Você tem repetido que a inteligência artificial é o novo grande desafio da humanidade. Por quê? Silvio Meira: A inteligência artificial mexe com a capacidade cognitiva e repetitiva dos seres humanos. A gente tem três inteligências: uma é inteligência informacional, a nossa capacidade de captar, processar, armazenar, recuperar, usar a informação para tomar a decisão em ação. A gente tem a capacidade de socialização, como a gente se articula com outras entidades para resolver problemas. E a gente tem a capacidade autônoma, o meu poder de decisão. Eu podia não ter decidido não vir para cá agora, mas decidi vir.  O que IA faz? A IA “imita a inteligência” informacional dos humanos. Tudo que eu e vocês fazemos que é cognitivo, exige uma formação, mas é repetitivo, a IA pode fazer e faz melhor do que o humano numa escala estratosfericamente mais elevada e mais barata. Esse é o tamanho do problema. Agência Brasil: Dá um exemplo?Meira: Vamos pegar um clínico geral padrão: você chega, ele nem olha pra você e pede 76 exames. Aí você faz os exames, volta, de novo, ele nem olha pra você e passa 22 remédios. Esse cara é uma IA dele mesmo. Se o que ele faz é pedir exames, analisar exames e casar exames com bula de remédios e passar remédios, ele pode ser automatizado. As inteligências artificiais já dão conta, por exemplo, de escrita de código, que é algo extremamente complexo para a vasta maioria dos mortais não treinados. Elas dão conta da escrita de 95% do código que os humanos escrevem e escrevem tão bem ou melhor do que eles. Ponto final.  Agência Brasil: O que sobra para quem é humano?Meira: Qual é o meu papel? É definir se o código deve ser escrito ou não. Definir que código escrever, como escrever, para quem escrever o código. Validar se o código foi escrito como deveria, se tem ou não tem problemas de funcionalidade (ele faz o que deveria fazer?). Ver se o código tem problemas de segurança.  O meu trabalho ficou muito mais complexo. Antes, o que eu fazia? Eu me sentava e escrevia. Agora, eu entrego para uma máquina, ela me entrega o código pronto e eu tenho que validar tudo isso. Agência Brasil: Se é tão eficiente, porque é preciso validar?Meira: Eu simplesmente não posso confiar porque ela é uma máquina probabilística e ela tem a probabilidade de dar errado. Digamos que a IA tem 50 possibilidades diferentes de escrever um mesmo código, mas três delas estão erradas e, por alguma razão, ela escolhe um desses caminhos errados. O código parece que funciona, tá todo lindinho, todo coerente, mas ele está errado.  Agência Brasil: A gente tem feito essa discussão com a atenção que precisa? Meira: Essa é a discussão de todos os dias aqui no CESAR, no Centro Informático da UFPE, nas empresas do Porto Digital. Só para você ter uma ideia, o primeiro evento do Porto Digital sobre o impacto da IA nos negócios de tecnologia foi em 2018. Não foi em 2023.  Agência Brasil: Como a IA está sendo usada na prática no Porto Digital? Meira: Nas empresas que são spin-off [empresas independentes criadas a partir de uma empresa-mãe ou de um centro de pesquisa] do CESAR, é simplesmente proibido você trabalhar sozinho. Você tem que ter um agente inteligente que você construiu, que trabalhe com você. Eu tô falando do RH, do atendimento, do marketing, de tudo. Veja, não é que é incentivado. É proibido. Agência Brasil: É proibido trabalhar sem IA? Meira: Sim! Porque tudo que você fizer, que você repetir, você tem que criar um agente para fazer. Para você parar de repetir coisas, porque é mais barato fazer com a IA. Não é só mais barato, é mais rápido. Quando o cliente quer uma resposta da gente, você pode estar pegando seu filho na escola, no banheiro, você pode estar onde você estiver. Mas se você pega o que você faz, que é repetitivo, e codifica e coloca um agente inteligente para fazer, o cliente fala com esse agente e tem seu problema resolvido. Agência Brasil: Quando a IA solucionar todos os problemas, as pessoas vão ficar sem trabalho?Meira: A gente tem que desaprender as coisas. Não dá para seguir fazendo as mesmas coisas, independentemente das mudanças. Vamos imaginar que a gente estivesse em 1898. Estava surgindo a indústria automotiva, mas o mercado ainda era de cavalos, carroças e carruagens. Em 1903, nos EUA, foram vendidos 11 mil automóveis e 2,5 milhões de carroças. Dez anos depois, 1913, foram vendidos 3,6 milhões de carros e quase nenhuma carroça. Quem tinha carroça estava mantendo a sua, mas quem não tinha queria comprar um carro, não uma carroça.  O